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Estou me construindo.

Wednesday, November 28, 2007

Hermann Hesse


Quer eu contemple um musgo, um cristal, uma flor, um escaravelho dourado; ou o céu povoado de nuvens, o mar com os contornos abandonados de suas dunas gigantescas, uma borboleta com suas nervuras de cristal, e os arabescos e os desenhos ornamentais, e as doces, fascinantes, infinitas, palpitantes cores,ora fortes,ora suaves;--sempre que com os olhos ou qualquer sentido corporal contemplo uma parcela da natureza, todo absorto e imantado por sua magia, e, por um momento, me entrego a seu ser e sua gratificante revelação; acontece então que, neste exato momento, esqueço e alijo de mim todo o mundo cheio de cegueira e cobiça da miséria humana; e longe de pensar ou dar ordens, em vez de amontoar ou roubar para mim, em vez de lutar ou de reorganizar, outra coisa não faço, àquela hora, senão “deslumbrar-me”, como Goethe. E com este deslumbramento não me torno apenas irmão de Goethe e de outro poetas e sábios. Não, sou também o irmão de tudo aquilo ante o qual me deslumbro, de tudo quanto experimento como um mundo vivo e palpitante: irmão da borboleta, do escaravelho, da nuvem, do rio, da montanha. Pois, por um instante, pela senda do deslumbramento, vou me afastando do mundo das separações, para me adentrar no mundo da unidade, onde uma simples coisa ou criatura se volta para a outra e sussurra: “Tat twaim asi” (“Isto és Tu”)..

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Sunday, November 25, 2007

"E assim, como escravos fugitivos, fugimos de nossa realidade ou produzimos um falso eu extremamente admirável, levemente cativante e superficialmente feliz. Escondemos o que sabemos ou sentimos que somos (que pressupomos ser inaceitável ou inamável) atrás de algum tipo de aparência que, esperamos, seja mais agradável. Escondemo-nos atrás de rostos agradáveis que vestimos em benefício de nosso público. Com o tempo, podemos até mesmo chegar a esquecer o que estamos escondendo e pensar que nos parecemos realmente com o rosto agradável que assumimos."

Simon Tugwell

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Na ilha por vezes habitada


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

Jose Saramago

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Sunday, November 18, 2007

" Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para retornar sempre inteira."

Clarice Lispector

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